domingo, 13 de junho de 2010

Obrigado pela grosseria

Essa semana ao ler o Emcartaz (revistinha Guia dos eventos da Secretaria da Cultura de São Paulo [e eu nao escrevi errado! "Emcartaz" é junto), vi que ia passar O Pianista no Centro Cultural São Paulo bem dia 12. Resolvi chamar o Cleyton pra ir comigo, a gente namorava um pouquinho e depois assistia um filme legal.
E assim foi. Eles fez dreads no cabelo... o negão ficou show, manolo!
Ficamos na Praça Amadeu Amaral (em frente o Hospital Oswaldo Cruz, pertinho da Paulista) e o que aconteceu lá... céus, é melhor não comentar ^^

Apesar de ser bom, eu fico meio chateada. Parece que só somos o "casal sintonia mil" nessas horas de pegação. E a culpa não é minha não, viu. Ele parece que me acha muito chata, eu não sei o que acontece. Eu contei a fita de sexta-feira com todos os detalhes e empolgaçao e ele não disse NADA!! Nem um "ah que legal". Cara, parecia que estava falando sozinha, sem brincadeira... Eu fiquei super mal. E é assim quase sempre. Eu falo e ele não dá a mínima. Eu tô de saco cheio disso. Eu o ouço, adoro quando ele fala super empolgado das coisas dele e quando eu falo de algo que aconteceu comigo ele parece que não tá nem escutando! Ok, o pior ainda está por vir.
O Pianista é a história de um pianista judeu que sobreviveu na Alemanha diante de todo o Holocausto. Teve uma cena do filme, em que um soldado nazista invadiu o gueto judeu (como faziam em todas as noites), entrou numa casa e jogou um cadeirante com a (cadeira e tudo) pela janela (era mais ou menos um quarto andar). Eu fiquei super chocada e o Cleyton começou a rir... Eu perguntei por que ele ria e ele disse: por que ele era judeu.
Caralho, eu juro pra vocês, eu odeio muita coisa, odeio quase tudo, mas se tem duas coisas que eu odeio demaaais é hipocrisia e preconceito. Cara, não sei como eu tive estômago pra ouvir aquilo. Uma pessoa que se diz discípula do BOB MARLEY! Um dos artistas mais pacifista e igualitários da história!!! Como uma pessoa que se diz discipula de um cara como BOB MARLEY (sim, em caps lock! eu tô gritando) dá uma de nazi? De anti-semita? Cara, ele que tanto odeia preconceito contra negros, ele sofre preconceito, era pra ele odiar preconceito! Cara, eu fiquei fu... com aquilo. Eu estava segurando a mão dele e encostada em seu ombro. Na mesma hora eu me afastei e soltei sua mão. E ficamos assim pelo resto do filme.... Quando o filme acaba...


Ele sai na frente e eu sem entender nada. Como saímos pelo lado oposto ao que entramos, ele se confundiu e começou a ir pro lado direito, sendo que a saída é pro lado esquerdo. Eu consegui alcançá-lo devido às inúmeras portas que tem lá:
- Que você tá fazendo? Onde você tá indo?
- Embora. Não é aqui a saída?
- Não! É pro outro lado.
E fomos... sem mãos dadas é claro.
- Peraí, você ia embora sem mim? Por que isso?
- Eu sou preconceituoso, nojento... Você não gosta de gente preconceituosa.
Eu fiquei abismada. Tudo que eu mais queria era abrir um burado e sumir naquele momento... não sei se era raiva que eu sentia, era algo estranho, horrível, eu fiquei muito muito muito mal Não acreditei que tava passando por uma situação tão desagradável, estúpida e grosseira como aquela. Parecia que era ruim demais pra ser verdade. Não conseguia acreditar que tava vivendo aquilo.
Eu otária [1] pra caralho o esperei enquanto comprava bilhete no metrô, olhava o mapa de estações... Eu me odeio pra sempre, cara.
Não trocamos uma palavra no metrô... Ele ficou longe de mim e vice-versa.
Desci na Sé e ele não, olhei pra trás e entrei de novo no vagão:
- Desculpas. Eu esqueci que você não descia na Sé, eu esqueci...- mas eu sou OTÁRIA [2] meeeesmo.
Só tinha entrado pra me despedir dele (afinal eu tenho um barato chamado "educação"), então quando parou na São Bento, eu dei um beijo frio em seu rosto e disse "tchau". Aí ele viu meus olhos vermelhos e as lágrimas descendo... Deve ter sentido um remorso do caralho, segurou meu braço delicadamente e disse:
- Desce na Luz comigo e vamo até o Brás. Eu quero conversar.
OTÁRIA [3] de novo. Eu aceitei. E continuei chorando. Ele não precisava ter sido tão grosseiro a ponto de sair sem ao menos me dá tchau. Cara, ficasse de cara fechada, discutisse, mas me deixar ali sozinha! E ele ia fazer isso mesmo, só não aconteceu por ter confundido a direção da saída. Já pensou se ele não tivesse confundido a saída? Mano,eu ia ficar 10 vezes pior do que estava, eu nunca mais o procuraria.
Descemos na Luz (de mãos dadas) e ele perguntou por quê eu estava chorando. ¬¬' Eu não devia ter respondido (Otáriaaaaa, respondeu! [4])... Ele disse que eu não sabia o que era preconceito... Se eu que "não sei" tenho todo esse nojo de preconceito, eu acho que quem "sabe" (como ele) deveria ter mais nojo ainda. Ele vai descontar o preconceito que ele sofre nos judeus? ¬¬' Bob Marley odiava preconceito, e se ele tivesse vendo isso, acho que não estaria gostando nenhum pouco.
Pegamos o trem da CPTM e eu continuei a chorar:
- Você tá com raiva de mim.
- Não tô não. - e o beijei. Otária [5]- viu! Eu não to com raiva de você.
- Mas eu tô com raiva de mim. Eu não devia ter saído daquele jeito.
- Agora já foi.
Quando eu desci, dei um selinho nele e um tchau. Quase derrubo uma mulher na porta. Sabe quando seu corpo tá mole? Quando você tá meio que tremendo (dessa vez de tristeza)? Era assim que eu tava, por isso tropecei na mulher.
Meu delineador ficou todo borrado. Disse a minha mãe que tinha chorado por causa do filme. O filme era mesmo de chorar... mas eu "nunca" consigo chorar perto do Cleyton, eu já senti vontade várias vezes, eu choro muito em filme e tals... mas perto dele eu não consigo. O que quero dizer é que pra eu ter chorado na frente dele sendo que eu nunca consigo fazer isso, é por que a situação tava tensa pra cacete.
Eu gosto dele e vocês sabem... mas eu sinto que tá morrendo tudo (não, meus sentimentos não estão morrendo! Estão vivíssimos! O que está morrendo é nosso relacionamento). Eu quero ele, amo ficar perto dele mas... não dá pra ficar com alguém desse jeito, meu! Eu vou deixar rolar... Vamos ver até onde vai.

2 comentários:

  1. "Ok, o pior ainda está por vir." - Era de se esperar...

    "Quando o filme acaba..." - Ainda tem mais?

    "Eu vou deixar rolar... Vamos ver até onde vai." - PELAMOR!!!!! NÃO FAZ ISSOOOOOO! Menina, esse relacionamento não tá te fazendo bem. Corta logo o mal pela raíz. Já se perguntou porque está com ele? Sim, já se perguntou, você ama ele, você gosta de estar do lado dele, e um monte de etc.
    Já se perguntou porque ele está com você? Porque ele gosta de te beijar? Tem muito mais num relacionamento do que isso.
    Tem que existir diálogo!!!! Vocês não conversam, se pegam! Não é culpa sua. Sei que se dependesse de você, vocês conversariam muuuuito.
    Numa relação, uma pessoa ouve a outra e vice-versa. Uma pessoa entende a outra e vice-versa. Uma pessoa DÁ ATENÇÃO pra outra e vice-versa.

    Se pergunte se ele é o mesmo companheiro de 5 meses atrás? Se pergunte se isso tá te fazendo bem! Carina, você não precisa suportar tudo isso. Não é querendo te chatear, mas a tendência é piorar. Você não precisa suportar esse tipo de coisa. Não está te fazendo bem! Por mais que você o ame, por mais que você queria, goste e faça de tudo pra estar do lado dele, pra ajudá-lo... SE ajude. Se ame primeiro, se cuide. Se pergunte.

    Se quiser desabafar, me liga. To vagabundando em casa 24hs por dia. Acordo tarde, durmo tarde! Se quiser conversar, estarei aqui.

    Outra coisa. Como ele não sabe o que é preconceito???????? Ah pelamor, se fosse o Bob Marley sendo atirado da janela, ele iria se sentir enfurecido. ¬¬'

    Ah, sem comentários... Se tiver em casa hoje à tarde, me liga! EU quero conversar com você.

    Te amo... Beeeijo amiga!
    P.S. Ele foi muito grosso.

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  2. AAAAAA

    gostei do estilo! Tá bacana, a sua cara. Simples, mas bem elaborada! ^^

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